Sessão gratuita acontece no dia 8 de agosto, com dez obras realizadas desde 2009, com introdução da pesquisadora Ailce Moreira.

Foto: Eduardo Cunha

A Cia. Etc. leva ao Cinema São Luiz, no dia 8 de agosto, às 14h, a Mostra de Videodança – 25 anos de Cia. Etc., sessão gratuita que reúne dez obras audiovisuais, como parte da programação comemorativa de um quarto de século da companhia pernambucana. Com duração de 67 minutos, a mostra terá introdução da pesquisadora Ailce Moreira e contará com acessibilidade em Libras, propondo um olhar sobre a trajetória do grupo na intersecção entre corpo, câmera, tela e arte sonora.

Antes de se consolidar como linguagem dentro da pesquisa artística da companhia, o vídeo esteve presente como ferramenta de registro. Servia para filmar espetáculos, rever ensaios e observar a presença do corpo em movimento. Aos poucos, porém, essa relação deixou de ser apenas documental e passou a ocupar outro lugar na criação da Cia. Etc., inscrevendo-se como campo próprio de experimentação.

Para Marcelo Sena, diretor artístico da Cia. Etc. ao lado de Filipe Marcena, a mostra propõe uma leitura panorâmica, mas não cronológica, da relação do grupo com o audiovisual. “A companhia sempre teve uma relação muito próxima com o vídeo. Primeiro, como registro dos espetáculos e ensaios. Depois, fomos entendendo que existia uma linguagem específica nesse cruzamento entre audiovisual e dança, chamada de dança para a câmera, dança para tela ou videodança”, afirma.

A primeira experiência da companhia nesse campo foi Súbito, dirigida por Breno César, que integra a programação da mostra. Desde então, a videodança passou a fazer parte da rotina criativa do grupo. “Nunca foi uma produção pontual. A gente cria espetáculos, performances e também videodanças. Isso está na nossa forma de pensar a continuidade da companhia e da pesquisa entre corpo, audiovisual, trilha e arte sonora”, observa Marcelo.

A seleção apresentada no São Luiz reúne trabalhos como Queda, Zaz, Fenda, Involuntário, Maxixe, Rebu, Bokeh, Estelita Fight The Power e Dança Macabra. Segundo Filipe, a curadoria levou em conta não apenas a importância de cada obra dentro da trajetória do grupo, mas também a experiência do público diante da tela grande. “A gente decidiu que não faria uma mostra em ordem cronológica. Pensamos na dinâmica da sessão, na duração, na forma como os vídeos dialogam entre si e em quais obras ganhariam força nesse espaço do cinema”, explica.

Exibir essas produções no Cinema São Luiz também desloca a videodança de seus circuitos mais habituais. Ao longo dos anos, muitas obras circularam por plataformas digitais, como YouTube, Vimeo e redes sociais, ou por festivais nos quais a videodança aparece de maneira menos frequente, muitas vezes associada ao experimental, ao curta ou ao videoclipe. No caso da Cia. Etc., essa fronteira se amplia. Queda, por exemplo, também se aproxima da linguagem do videoclipe, a partir de uma música da banda Rua do Absurdo.

Ainda assim, para Marcelo, há algo específico na experiência coletiva da sala de cinema. “Muitas vezes, quando estamos criando uma videodança, imaginamos esse trabalho na tela grande, com som imersivo, com esse momento reservado para estar em contato somente com a obra audiovisual. O cinema também é um lugar de encontro. Para nós, que trabalhamos com dança e presença, reunir as pessoas para assistir e conversar sobre essas obras é muito importante”, diz.

A presença de Ailce Moreira reforça esse gesto de mediação. Jornalista, licenciada em Dança, mestra em Artes Visuais, pesquisadora do Acervo RecorDança e integrante do Movimento Nós na Criação, Ailce estudou Maxixe em sua pesquisa acadêmica e acompanha os diálogos entre dança, memória e audiovisual no Recife. Mulher negra, de ascendência indígena, artista e evangélica progressista, atua movida pela esperança do alcance da justiça e da vida plena para todas as pessoas e seres.

“Ailce tem uma trajetória muito vinculada à dança, ao jornalismo, à pesquisa e à memória. Ela estudou uma das videodanças da companhia e tem um olhar histórico sobre o que se constrói na dança no Recife e na Região Metropolitana”, comenta Marcelo. “A presença dela ajuda a contextualizar o que significa uma companhia de dança ter 25 anos de trabalho continuado e, ao mesmo tempo, construir uma pesquisa em videodança”.

Na mostra, o corpo não deixa a cena: ele passa a habitar a câmera, a edição, o som e a tela. Para Marcelo, esse é um ponto central da pesquisa da Cia. Etc. “O futuro das nossas videodanças está nessa relação entre corpo, câmera e tela. Como trazer a sensação de dança para o cinema? Como fazer com que a pessoa, mesmo sentada numa cadeira, perceba o corpo na tela e sinta alguma provocação de movimento?”, questiona.

A Mostra de Videodança – 25 anos de Cia. Etc. integra a programação comemorativa dos 25 anos da companhia, que segue em agosto com o espetáculo O Tempo das Lebres, no Teatro Samuel Campelo, em Jaboatão dos Guararapes, e intervenções urbanas de Involuntário na Praça da Várzea, no CAC/UFPE e no Mercado de São José.

O projeto tem o incentivo da PNAB Recife. Mais informações no site oficial da Cia.Etc: ciaetc.com.br.

PROGRAMAÇÃO

MOSTRA DE VIDEODANÇA – 25 ANOS DE CIA. ETC.
Exibição seguida de debate com intérprete de Libras
Quando: sábado, 08/08, às 14h
Onde: Cinema São Luiz (Rua da Aurora, Boa Vista)
Quanto: gratuito 

TANDAN!
Sessões fechadas e reservadas para o público escolar e pedagógico das instituições
Quando e onde:
13/08, quinta-feira, às 14h – Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo
20/08 e 27/08, quintas-feiras, às 10h – EMTI da Mangabeira 

O TEMPO DAS LEBRES
Quando: sexta-feira, 14/08, e sábado, 15/08, às 19h30
Onde: Teatro Samuel Campelo (Praça Nossa Sra. do Rosário, Jaboatão dos Guararapes)
Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) 

INVOLUNTÁRIO
Intervenções urbanas
Quando e onde:
22/08, sábado, às 9h – Praça da Várzea
28/08, sexta-feira, às 12h – Centro de Artes e Comunicação (CAC) – UFPE
29/08, sábado, às 10h – Mercado de Sao Jose
Quanto: gratuito

FICHA TÉCNICA DO PROJETO
Coordenação do projeto: Filipe Marcena e Marcelo Sena
Dança: Filipe Marcena, Iara Campos, José W Júnior, Marcelo Sena e Maria Agrelli
Iluminação: Domingos Júnior, Filipe Marcena e Saulo Uchôa
Assessoria de comunicação: Dulce Araújo
Mídias sociais: Henrique Arruda
Fotografia: Nina Xará
Filmagem: Luara Olívia
Identidade visual: Thiago Liberdade
Intérprete de Libras: Joselma Santos
Administração: Hudson Wlamir
Assessoria contábil: Lopes & Menezes
Site: Alux Net
Produção: Cia. Etc., Domingos Júnior e Canela Vermelha
Realização: Cia. Etc.
Incentivo: PNAB Recife